A Assistência Estudantil é um eixo estruturante do projeto “+ UFBA: Sua voz importa!”, porque materializa, no cotidiano, a ideia de uma universidade pública popular, democrática e socialmente referenciada. Não se trata apenas de “ajuda” ou de um conjunto de bolsas: é uma política institucional de garantia de direitos, inseparável do compromisso histórico da UFBA com a inclusão social, com a excelência acadêmica e com a transformação social.
Partimos de uma compreensão central: ações afirmativas são um projeto integral, um ciclo que não termina no ingresso. A UFBA foi pioneira ao conceber suas políticas afirmativas como um sistema articulado de preparação para o ingresso, acesso, permanência e acompanhamento de egressos. Nesse sistema, a permanência é o coração que sustenta a democratização real. Sem permanência, o acesso vira promessa incompleta; com permanência, o acesso se transforma em trajetória de sucesso, formação qualificada e efetiva mobilidade social.
Por isso, nossa proposta concebe a Assistência Estudantil como política multidimensional, com três dimensões indissociáveis:
1) Permanência Material (condições objetivas de estudar)
A assistência material é base indispensável para que estudantes em situação de vulnerabilidade possam permanecer na universidade com dignidade. Envolve ações como apoio à alimentação, moradia, transporte, material acadêmico e cuidado com a saúde. No entanto, é preciso reconhecer que a demanda costuma superar a oferta e que episódios recentes, como atrasos no pagamento de bolsas, evidenciam a necessidade de planejamento orçamentário e gestão integrada, com previsibilidade, regularidade e responsabilidade administrativa. A UFBA precisa garantir que nenhuma política de assistência seja fragilizada por falhas de fluxo interno, desarticulação entre setores ou ausência de planejamento de médio prazo.
2) Permanência Acadêmica (direito à aprendizagem e combate à evasão/retenção)
Permanecer não é apenas estar matriculado: é aprender, avançar e concluir. A permanência acadêmica exige enfrentar, de modo estruturado, defasagens formativas e dificuldades comuns no início do curso — sobretudo em áreas como matemática, leitura, escrita, línguas e informática. Por isso, propomos consolidar e ampliar programas de apoio pedagógico e metodologias que favoreçam o sucesso acadêmico, articulando iniciativas já reconhecidas na UFBA, como a Assessoria Pedagógica ao Docente (APDU) e experiências formativas que fortaleçam a aprendizagem. Retomar e expandir práticas de reforço e tutoria, inspiradas em iniciativas como pré-cálculo e programas de fortalecimento em linguagem e leitura, é fundamental para reduzir evasão, repetência e retenção — e para garantir que a universidade cumpra seu papel de elevar a qualidade da formação, sobretudo para quem historicamente teve menos oportunidades educacionais.
3) Permanência Simbólica (pertencimento, acolhimento e universidade sem assédios)
A permanência também é cultural, afetiva e institucional. Uma universidade que democratiza o acesso precisa ser, ao mesmo tempo, uma universidade do pertencimento: ambiente de convivência democrática, respeito à pluralidade, sem assédios, perseguições ou intolerâncias. Permanência simbólica significa produzir uma cultura universitária em que a diversidade — étnico-racial, de gênero, social, territorial, cultural, geracional, religiosa ou de deficiência — não seja tolerada “apesar de”, mas valorizada como riqueza acadêmica e humana. Implica fortalecer o diálogo com movimentos sociais e coletivos, promover políticas inclusivas e consolidar práticas institucionais que garantam segurança, acolhimento e respeito aos ritos democráticos e legais, preservando a institucionalidade acima de projetos pessoais.
Para sustentar essa política multidimensional, assumimos compromissos de gestão coerentes com o espírito de “raízes e antenas”. As raízes exigem que a administração central cuide do essencial: condições de estudo e trabalho, fluxos administrativos eficientes, execução orçamentária responsável e presença cotidiana nas demandas reais do corpo discente. As antenas exigem atuação firme na disputa por recomposição orçamentária e por financiamento estável, defendendo marcos que assegurem previsibilidade à assistência estudantil e à vida universitária.
Ao mesmo tempo, a Assistência Estudantil precisa dialogar com o quarto pilar das ações afirmativas: egressos e inserção no mundo do trabalho. Permanecer e concluir com qualidade é condição para que a UFBA amplie o alcance social de sua formação. Por isso, defendemos uma política que conecte assistência, permanência acadêmica e oportunidades formativas (estágios, extensão, iniciação científica, inovação social e tecnológica), com acompanhamento contínuo de trajetórias, para que a universidade responda com inteligência institucional aos desafios de evasão, retenção e transição para o trabalho.
Em síntese, nossa proposta afirma que a Assistência Estudantil deve ser tratada como prioridade estratégica da Reitoria — não como política residual. Uma UFBA que quer ser “Mais UFBA” precisa ser, também, mais capaz de garantir o direito de aprender, mais eficiente em sua gestão interna, mais acolhedora em sua cultura institucional e mais firme na defesa do financiamento público. Assim, a permanência deixa de ser uma promessa e se torna uma prática: uma política viva, coerente com a missão histórica da universidade pública e com um projeto de país baseado em democracia substantiva, justiça social e desenvolvimento sustentável.