A valorização de docentes e de Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) é condição indispensável para que a UFBA cumpra, com excelência e compromisso social, sua missão pública de articular ensino, pesquisa e extensão e de atuar como protagonista no desenvolvimento sustentável, democrático e soberano do Brasil. No projeto “+ UFBA: Sua voz importa!”, valorização não é retórica: é uma política estruturante, que parte do entendimento de que a universidade deve ter raízes e antenas. As “antenas” projetam a UFBA no debate nacional e internacional; as “raízes” garantem que a vida real da instituição funcione com dignidade, respeito, previsibilidade e eficiência — e isso passa, centralmente, pelas condições concretas de trabalho de quem sustenta a universidade no cotidiano.
Nosso compromisso é afirmar uma UFBA que reconheça que não existe inovação, internacionalização, política cultural, extensão forte ou graduação de qualidade sem equipes valorizadas, protegidas e com condições materiais e institucionais adequadas. Valorizar docentes e TAEs significa, em primeiro lugar, assegurar uma gestão que não naturalize a precariedade, que não trate a falta de orçamento como desculpa para problemas internos solucionáveis e que seja capaz de planejar, executar e integrar as decisões com transparência e participação.
1. Condições dignas de trabalho e planejamento institucional como base da valorização
A valorização começa com o essencial: condições mínimas e dignas de trabalho. Isso exige um planejamento orçamentário, financeiro e administrativo consistente e participativo, capaz de dar previsibilidade às unidades acadêmicas e administrativas e de evitar improvisos que geram desgaste, insegurança e desorganização institucional. A UFBA precisa avançar para um modelo de planejamento que alinhe metas, prazos, responsabilidades e fluxos, garantindo eficiência administrativa e respeito ao tempo de trabalho de servidores e docentes.
Além disso, é necessário enfrentar, com seriedade, o tema do dimensionamento de pessoal, da recomposição e ampliação de códigos de vagas e da qualificação das condições físicas e tecnológicas de trabalho. A valorização também se expressa na manutenção, conservação e recuperação dos prédios e ambientes de trabalho — condição fundamental para a qualidade acadêmica e para a saúde laboral.
2. Valorização profissional: reconhecimento, formação e condições para produzir qualidade
Valorizar docentes implica reconhecer e apoiar o trabalho de ensino, pesquisa, extensão, cultura e inovação, com políticas institucionais robustas que garantam:
- Apoio pedagógico e valorização do trabalho docente, preservando e ampliando iniciativas como a Assessoria Pedagógica ao Docente (APDU) e experiências formativas que qualifiquem a prática pedagógica, tanto no presencial quanto no online;
- Desburocratização e apoio institucional aos projetos acadêmicos, com fluxos mais simples para tramitação, controle e prestação de contas, liberando tempo e energia para as atividades-fim;
- Política indutiva de pesquisa e pós-graduação, com fomento estratégico interno, agregação de pesquisadores em núcleos e apoio a grupos com potencial de impacto científico e social;
- Integração entre ensino, pesquisa e extensão desde o início da graduação, com metodologias ativas e projetos que ampliem a qualidade formativa e fortaleçam a relevância social.
Valorizar TAEs, por sua vez, é reconhecer que a universidade só funciona porque existe uma base técnica qualificada, comprometida e experiente. Uma gestão moderna precisa criar condições para que os TAEs exerçam plenamente sua capacidade técnica, com processos claros, participação nos planejamentos, reconhecimento institucional, oportunidades de formação continuada e ambientes de trabalho respeitosos e saudáveis.
3. Universidade da convivência: respeito, proteção institucional e ambiente sem assédios
Uma política de valorização também é uma política de convivência democrática. Defendemos uma universidade sem assédios, sem perseguições e sem intolerância, onde divergências não se convertam em hostilidade e onde a institucionalidade seja preservada acima de interesses pessoais. Isso significa cultivar uma cultura organizacional baseada em respeito, escuta e solidariedade como prática cotidiana — e não apenas como discurso.
4. Valorização que dialoga com a missão pública: “Mais UFBA” com raízes fortes
Nosso projeto afirma que a UFBA deve rejeitar a “torre de marfim” e se abrir à sociedade — mas essa abertura só será sustentável se a casa estiver forte por dentro. As “raízes” da UFBA são seus trabalhadores e trabalhadoras: docentes, TAEs, terceirizados e equipes que fazem a universidade funcionar e existir. Valorizar é garantir que a UFBA seja, ao mesmo tempo, capaz de dialogar com os grandes desafios do país e do mundo e de cuidar do cotidiano de quem assegura sua excelência acadêmica.
Ao fortalecer condições de trabalho, planejamento de médio e longo prazos, reconhecimento profissional e uma cultura institucional democrática, colocamos a valorização de docentes e TAEs no centro do projeto “+ UFBA”. Porque uma UFBA do futuro — inovadora, inclusiva, plural e socialmente referenciada — só se constrói com trabalho valorizado, planejamento eficiente e democracia praticada todos os dias.