A democracia universitária não é apenas um princípio abstrato: é um modo de governar, decidir e cuidar da vida cotidiana da UFBA. No plano + UFBA: Sua voz importa!, a democracia aparece como eixo estruturante de um novo ciclo institucional — especialmente simbólico em 2026, quando a UFBA completa 80 anos e é chamada a refletir sobre sua história e sobre como avançar, aprofundando sua tradição acadêmica e construindo um novo momento. Por isso, o plano se apresenta como texto-base, não como documento fechado: ele nasce de um processo de escuta já iniciado e se propõe a seguir sendo construído com a comunidade, para que o projeto final seja de fato participativo, representativo e coletivo.
A proposta parte da ideia de que a UFBA precisa ser, ao mesmo tempo, uma universidade de raízes e antenas. As “antenas” representam a inserção ativa nos grandes debates nacionais e globais — democracia, soberania científica, transição socioecológica, reindustrialização verde, desenvolvimento sustentável e defesa da universidade pública. As “raízes” significam a atenção permanente ao que sustenta a instituição por dentro: condições dignas de trabalho e aprendizagem, políticas robustas para ensino, pesquisa e extensão, e uma universidade que promova permanência material, acadêmica e simbólica, fortalecendo pertencimento e construindo uma comunidade inclusiva — sem assédios, sem perseguições e com convivência democrática desarmada.
Essa visão se concretiza numa diretriz central: democracia como princípio prático de gestão. Isso significa mudar o padrão de tomada de decisão, com um modelo descentralizado e democrático, capaz de ampliar a autonomia das unidades acadêmicas e administrativas, aproximar recursos e meios de quem executa as ações no cotidiano e garantir respostas mais ágeis às necessidades reais de cada área. Participação, aqui, não é “consulta simbólica”: é corresponsabilidade, com planejamento institucional consistente e compartilhado — orçamentário, financeiro e administrativo — para assegurar previsibilidade, funcionamento digno e soluções para problemas concretos que afetam diretamente a vida estudantil e o trabalho acadêmico.
O plano também defende o fortalecimento dos espaços coletivos de deliberação. O Conselho Universitário (CONSUNI) deve realizar plenamente seu potencial, consolidando-se como o grande fórum qualificado para discutir os macrodesafios da sociedade e seu vínculo com a missão universitária. Ao mesmo tempo, a gestão deve organizar melhor seus fluxos internos, superar desarticulações e garantir que políticas essenciais — como assistência estudantil — funcionem com regularidade e respeito à dignidade de quem depende delas. Uma universidade democrática não pode naturalizar falhas previsíveis: ela precisa de governança, coordenação e capacidade de execução.
Por fim, + UFBA reforça que a democracia universitária se completa quando a universidade se abre para a sociedade, rejeitando a lógica da “torre de marfim”. A participação não é só interna: é também a construção de pontes com a Educação Básica, com o SUS, com os territórios e com os desafios públicos do estado e do país. É nesse sentido que o chamado “Sua voz importa!” é mais que slogan: é convite a um pacto institucional em que todas as vozes contam, a pluralidade é respeitada e a UFBA se reafirma como laboratório da democracia, produtora de conhecimento e transformação social, enraizada na Bahia e conectada ao mundo.