A Universidade Federal da Bahia nasce e se desenvolve como uma instituição profundamente enraizada na vida social, cultural e política do nosso Estado. Ao completar 80 anos em 2026, reafirmamos que a UFBA não é uma “torre de marfim”, nem pode ser compreendida como um espaço apartado das urgências do nosso tempo. A universidade pública existe para servir ao interesse público: formar pessoas, produzir conhecimento, fortalecer a democracia e devolver à sociedade, em forma de ciência, cultura, inovação e políticas, tudo aquilo que a sociedade investe nela.
Nosso projeto de gestão assume que a relação entre UFBA e sociedade deve ser estrutural, cotidiana e bidirecional: a universidade aprende com o território, com os movimentos sociais, com as escolas, com o SUS, com o mundo do trabalho, com a cultura popular e com as demandas concretas das cidades; e, em retorno, oferece formação crítica, pesquisa de excelência, soluções tecnológicas e sociais, produção artística e serviços públicos qualificados. Essa troca é o coração da universidade socialmente referenciada.
A UFBA tem, por missão, articular ensino, pesquisa e extensão de modo indissociável. Isso significa que a extensão não é “atividade complementar”, mas um método de produzir universidade com a sociedade, levando a universidade para fora de seus muros e trazendo a sociedade para dentro dos processos formativos e científicos. Ao fortalecer a curricularização da extensão e valorizar projetos territorializados, defendemos uma UFBA que se consolida como laboratório da democracia, onde convivem pluralidade, pensamento crítico e compromisso com a justiça social — sem assédios, sem perseguições, com respeito à institucionalidade e aos ritos democráticos.
Essa presença social se expressa, de modo prioritário, em três grandes compromissos:
1) Educação pública e formação de professores: a UFBA como parceira das redes e das escolas.
A melhoria da Educação Básica é um projeto estratégico de nação e um dever da universidade pública. A UFBA já possui experiências robustas — PIBID, Fórum das Licenciaturas, mestrados profissionais, estágios e projetos de extensão — que precisam ganhar integração sistêmica, escala e continuidade. Nosso objetivo é consolidar uma política institucional que conecte de forma permanente a formação docente, a pesquisa educacional e o trabalho cotidiano nas escolas públicas, produzindo inovação pedagógica, formação continuada e práticas de investigação-ação junto às redes municipais e estadual.
2) Saúde, SUS e direitos sociais: universidade como compromisso com a vida.
A UFBA, em diálogo com o SUS, deve seguir contribuindo com formação qualificada, pesquisa aplicada e ações de extensão em saúde, articulando saber acadêmico e saber dos serviços. Isso inclui fortalecer práticas interdisciplinares, ampliar a integração ensino-serviço e sustentar uma universidade comprometida com direitos sociais — saúde, educação, cultura, trabalho digno — como parte de uma democracia substantiva e material.
3) Mundo do trabalho, desenvolvimento e inovação social: conhecimento que vira oportunidade e dignidade.
A universidade tem responsabilidade com o futuro dos seus egressos e com a inserção social do conhecimento produzido. Por isso, propomos intensificar a aproximação com o mundo do trabalho e com a sociedade organizada, por meio de políticas de inovação, estímulo a ecossistemas de pesquisa aplicada e inovação social, e criação de mecanismos institucionais como um Centro de Desenvolvimento de Carreiras e Acompanhamento de Egressos. A UFBA deve formar pessoas capazes de pensar criticamente a revolução tecnológica, defender direitos e atuar em diferentes trajetórias profissionais — no setor público, no setor produtivo, no terceiro setor, na economia solidária, na cultura e na ciência.
A relação com a sociedade também exige uma política de comunicação pública universitária à altura da conjuntura. Em tempos de desinformação e ataques às instituições públicas, é indispensável que a UFBA comunique com clareza seu impacto social: o que pesquisa, o que entrega, como contribui para a vida das pessoas, quais soluções produz e por que a universidade pública é um patrimônio do povo. A comunicação deve traduzir a ciência, valorizar a cultura, dar visibilidade à extensão e fortalecer o vínculo com juventudes, trabalhadores e comunidades.
Por fim, reafirmamos uma diretriz simples e poderosa: “+ UFBA” é mais universidade na vida real. Mais diálogo com a sociedade civil, mais presença nos territórios, mais compromisso com escolas e serviços públicos, mais cultura circulando, mais ciência acessível, mais oportunidades para estudantes e egressos, mais democracia vivida no cotidiano. Com raízes firmes no povo baiano e antenas voltadas ao mundo, a UFBA seguirá sendo um bem comum — uma instituição perene, plural e indispensável para o futuro do Brasil.